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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ódio

Sentimento repugnável e insensato.

Porque não me sais da cabeça? Porque aprofundaste as tuas raízes no meu coração? Deixa-me, não me aflijas mais. Porque é que te odeio? Porquê???

Então lembrei-me...daquela noite, que nunca poderei esquecer, aquela em que o meu mundo desabou sobre tudo o que eu acreditava.

Recordei-me do passado, aquele que devia estar enterrado no profundo do meu subconsciente.

Lembro-me, a noite estava fria, as brumas passeavam, iluminadas pela luz de prata que provinha da lua, abraçando-me com o seu abraço frio e apertado, como se me quisesse proteger de algo.

Eu estava feliz, ia ter com ela pela primeira vez, sem ninguém a rodear-nos, era o meu amor.

Estava quase lá, o meu coração batia desesperado de amor, os meus passos tornaram-se mais longos e ágeis.

Foi então que a ouvi, ergui os olhos e o que vi deixou-me estarrecido, ela ria-se abraçada a outro rapaz, e os seus lábios uniam-se cheios de desejo. Cerrei as minhas mãos, as minhas pernas tremiam de raiva, de ódio.

Uma lágrima correu pela minha face, fugindo dos meus olhos irados, e eu corri tapando a minha face, um homem não chora.

Cheguei a uma pequena lagoa, sem saber como tinha lá chegado, na qual a lua estava reflectida, convidando-me a sentar e a pensar.

Sentei-me e reflecti, mas o ódio entranhou-se nas raízes profundas do meu coração. Rasguei a minha camisa, arranhei todo o meu corpo, fazendo golpes profundos na minha imaculada pele, mas eu tinha de o agarrar, expulsar o ódio do meu coração, no qual entrara sem autorização.

O sangue escorria quente pelas minhas mãos, gotas de suor brotavam da minha testa e escorriam misturando-se com o meu sangue.

Na minha mente surgia a escuridão, os meus pensamentos pareciam jorros de luz que me assaltavam, então tudo ficou negro.

A luz do sol brotou, então, infiltrando-se nas brumas, e iluminou o meu corpo maltratado e abandonado, esvaído e desprovido de sangue, a minha respiração cada vez mais ofegante, então senti alguém perto de mim, começou a falar com alguém que não conhecia, se calar até era comigo.

Oiço ao longe uma sirene e pegam-me.

O ódio pelas pessoas voltou, eu tentei mexer-me, mas não tenho forças.

Sabia que tudo estava perdido, mesmo que não morresse fisicamente, estava já morto no meu âmago.

Sobrevivi, passei muito tempo só no meu quarto, fechado.

Comecei a sarar as feridas profundas, mas o ódio, esse continua impregnado nas raízes do meu coração.

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