Sem saber como ou porquê, entro novamente pelos portões de ouro que protegem a minha mente, a minha alma de corrupçoes violentas e inexplicáveis.Danço entre a bruma outrota prata e que agora reflecte a luz da liberdade de pensamento, de expressão, a luz dourada e quente da razão sentimental.
Imagens rodopiam e me arrastam para o poço da memória, um poço sem fundo de inarrável beleza, de estonteante poder...
O mergulho é suave, indescritivel, ao som das estrelas que guiam à biblioteca da sabedoria, é lá que eu guardo as minhas memórias, em pergaminhos velhos com variados odores inesqueciveis.
Ah! O pergaminho da infância, aquele que me leva a olhar o crescimento de uma pessoa, o sofrimento e a alegria, as primeiras palavras, os primeiros sentimentos, os primeiros momentos.
Tudo isso parece tão distante, mas está mais perto do que eu posso ver, pensar ou até mesmo entender, é tão poderoso, tão maravilhoso.
A primeira vez que dancei, que representei, que me deixei levar pelo amor à verdadeira arte, o verdadeiro sentimento de amor...
A primeira experiência, a primeira descoberta, a primeira alegria e a primeira desilusão.
Haaa...como o tempo passa a voar por nós sem percebermos!
Algo me diz suavemente que meu tempo ali, na minha grande biblioteca acabou, que preciso sair das minhas memórias, que lembrar é bom mas viver na lembrança é perigoso, é inconcebível.
Subo, apressado, as escadas para o meu jardim dourado, vermelho e verde. Passo pelo banco da verdade e sigo ate o portão de ouro que me protege, protege o quem eu fui, quem eu sou. Minha identidade.
E tudo se desvanece, trazendo-me à realidade, a uma realidade de vida, amor e perdão, de lutas e perdas mas também de vitorias e de conquistas.
Traz-me o calor do mundo, o calor do Grande Amor, do Único que me fez ver quem sou realmente, o meu LINDO CRIADOR...